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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Carta ao Ministro ou Eles não usam white coat

Sr Ministro

Inicialmente ressalto o entusiasmo que observo nos atores da cena sanitária brasileira em geral com a sua assunção ao Ministério da Saúde. Talvez seja a sua disponibilidade prestigiando os mais diversos eventos. Algumas decisões há muito reclamadas também contribuem para sua credibilidade entre os que estão bem intencionados com a Saúde Pública.

Trabalho há mais de 15 anos na Administração Pública, quase todos na Secretaria de Saúde (e prometo não falar mais da minha pessoa neste texto) do meu município (meu berço e meu lar) e um assunto me incomoda quando se fala em recursos humanos no SUS.

É evidente que as profissões típicas da área da saúde, aquelas que estão na frente de batalha seja na prevenção ou na assistência ambulatorial e hospitalar merecem todo nosso reconhecimento como fundamentais para o sucesso do Sistema Único de Saúde.

Todavia sinto que há um desconforto geral quando em debates diversos sobre RH no sistema não se pronuncia uma sílaba sequer sobre os servidores de atividades meio. Funcionários da área administrativa e profissionais de nível superior de profissões não tão facilmente identificáveis com a área da saúde são solenemente ignorados. E até mesmo atividades levadas a cabo por servidores de cargos mais vinculados à assistência, por exemplo, Regulação, Controle e Auditoria são tratadas como algo externo ao sistema.

Ora, é sabido, está na história, que o SUS, em seus primórdios, apesar de precariedades de toda natureza e a conversão do mandamento constitucional e da Lei 8080 e da Lei 8142 em efetiva política pública era um ato de coragem particularmente dos municípios foi decisiva a comunhão de esforços de médicos, profissionais de Enfermagem, Serviço Social etc e de servidores do setor de pessoal, administrativo e do setor de controle financeiro que se debruçaram sobre oceanos de normas e arregaçaram as mangas para prover o povo de toda a estrutura pedida pela nova realidade sanitária.

Para fortalecer o SUS devem continuar irmanados ideologicamente. Eu creio muito que isso continua existindo e todos que militam em favor da Saúde Pública devem professar a fé nessa comunhão de esforços, nessa massa coesa de trabalhadores de todos os níveis.

O inverso, ou seja, a divisão dessa massa em categorias que só enxergam sua própria realidade sem noção de conjunto servirá na medida para quebrar a multidisciplinariedade e interdisciplinariedade tão caras ao espírito solidário do SUS.

Por isso rogo ao eminente Ministro de Estado e a todos que se debruçam sobre o tema Recursos Humanos que incluam nas suas reflexões essa importante parcela dos profissionais do Sistema Único de Saúde.

Afinal todos os trabalhadores da Saúde são imprescindíveis e parte da solução das suas complexas demandas cotidianas. Até porque os profissionais que defendi nesses curtos parágrafos só tem uma característica diferente…eles não usam White Coat.

Bom trabalho a todos.

Renato Saddi

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